Cerca de 30% dos homens que fazem sexo com homens em Lisboa disseram ter feito chemsex nos últimos 12 meses. Isto de acordo com dados do CheckpointLX. A prática de combinar drogas e sexo está a crescer muito nas grandes cidades de Portugal. Esta tendência cria desafios para a saúde sexual e na redução de riscos.
O chemsex é a mistura das palavras “chemical” e “sex”. Significa usar substâncias psicoactivas para melhorar a experiência sexual. As sessões podem durar horas ou até dias, envolvendo vários parceiros. Esta combinação aumenta o risco de infecções.
Em Portugal, as metanfetaminas e o GHB são as drogas mais usadas juntamente com sexo. A prática acontece principalmente em saunas LGBTQ+ e em festas privadas. Lá, na maioria destas, as estratégias para reduzir riscos ainda são poucas. Isto mostra que é urgente que os serviços de saúde e organizações comunitárias façam mais.
Principais Conclusões
- O chemsex afecta principalmente homens que fazem sexo com homens nas áreas urbanas portuguesas
- As sessões podem durar de algumas horas até três dias consecutivos
- Existe um risco elevado de transmissão de VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis
- As drogas + sexo mais comuns incluem metanfetaminas, GHB e mefedrona
- A redução de riscos é essencial para minimizar danos à saúde sexual
- Portugal necessita de mais iniciativas de “harm reduction” (redução de danos) adaptadas a esta realidade
O fenómeno do chemsex em Portugal
O chemsex em portugal está cada vez mais presente. É uma prática que mistura o uso de substâncias psicoactivas com atividades sexuais prolongadas. Tudo isto tem vindo a criar muitos desafios para a saúde pública.
Definição e características da prática
O chemsex envolve o uso planeado de drogas para encontros sexuais. As substâncias psicoactivas mais usadas são:
- Metanfetamina em cristal (conhecida como “Tina”)
- GHB/GBL (ácido gama-hidroxibutírico)
- Mefedrona (conhecida como “Meph”)
Esta prática sexual usa drogas para prolongar sessões sexuais, sessões essas que podem durar várias horas ou até dias. Os participantes costumam usar aplicações de encontros (Apps para telemóvel) com códigos e emojis para mostrar interesse na prática.

Prevalência entre homens que fazem sexo com homens
O fenómeno afecta principalmente homens que fazem sexo com homens (HSH). Estudos feitos pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostram um aumento significativo (ver notas e fontes no final deste artigo). Isto tem vindo a ocorrer nas principais cidades portuguesas.
A organização CheckpointLX ajuda muito essa população com este tipo de hábitos. Oferece testes e apoio especializado aos HSH que fazem chemsex.
Evolução do fenómeno em Lisboa e outras cidades portuguesas
As drogas recreativas em lisboa associadas ao chemsex aumentaram muito desde 2010. Miguel Rocha, da Universidade do Porto, estudou as diferenças geográficas e Lisboa tem características únicas nesse contexto.
Drogas mais utilizadas e seus efeitos

No mundo do sexo químico, algumas drogas psicoativas são muito usadas. Elas mudam a experiência sexual, mas também trazem grandes riscos para a saúde. Este nosso artigo de hoje publicado no Blog da SaunApolo 56 tem o propósito de informar e clarificar sobre este tema. Vamos lá.
Metanfetaminas, GHB e outras substâncias psicoativas
A metanfetamina cristalina é muito usada no chemsex. Ela faz o coração bater mais rápido e faz causar uma pressão arterial alta, ajudando o consumidor a manter-se acordado por horas. O GHB e o GBL são usados para relaxar o corpo, facilitando o sexo.
A ketamina faz o seu consumidor sentir-se desligado do corpo. Já os poppers, inalados, aumentam o fluxo de sangue. Cada uma dessas drogas tem os seus próprios riscos.
Riscos de overdose e interacções perigosas
A overdose é um grande risco. Com o GHB e GBL, um pouco mais pode ser fatal. O “G-sleep” pode levar à paragem respiratória.
Já os poppers parecem seguros, mas podem causar problemas sérios. Misturá-los com outras drogas pode aumentar os riscos ainda mais.
Slamming e outras vias de administração
O slamming é injetar metanfetamina directamente na veia. Isso aumenta muito o risco de doenças graves. Lesões e infeções são comuns e precisam de atenção médica rápida.
Contextos de prática: saunas LGBTQ+ e festas privadas

Em Portugal, o chemsex acontece em locais privados. As saunas lgbtq+ e casas particulares costumam ser os mais escolhidos. Aqui, as pessoas podem ter encontros sexuais com mais privacidade.
As festas privadas, ou “chill outs”, são comuns na comunidade gay. Elas alternam entre momentos de sexo duro e depois momentos de descanso. Em Lisboa, esses eventos estão mais frequentes, especialmente em apartamentos e quartos de hotel, e principalmente no pós-pandemia Covid-19.
A tecnologia tem ajudado muito na organização desse tipo de encontros. Os aplicativos (APPS mobile) usam códigos e expressões para mostrar interesse no Chemsex. Assim, é fácil encontrar outros interessados, tanto online quanto offline.
| Local de Prática | Características | Frequência em Lisboa |
|---|---|---|
| Residências privadas | Maior controlo do ambiente, privacidade total | 65% |
| Saunas LGBTQ+ | Acesso facilitado, ambiente preparado | 20% |
| Quartos de hotel | Neutralidade do espaço, anonimato | 10% |
| Clubes nocturnos | Integração com vida nocturna | 5% |
A cultura europeia de circuito acabar por influenciar também o chemsex em Portugal. Eventos em cidades como Paris, Londres e Bruxelas criam tendências. Essas tendências espalham-se pelas práticas locais, formando uma rede global.
Comportamentos de risco associados ao chemsex

O uso de substâncias psicoativas em encontros sexuais aumenta também outros riscos para a saúde. Por exemplo, as drogas diminuem a capacidade de tomar decisões seguras durante o sexo.
Sexo sem preservativo e múltiplos parceiros
No chemsex, o sexo sem protecção é comum. A busca pelo prazer imediato supera as preocupações com a saúde. As festas com vários parceiros aumentam os riscos de doenças.
O bareback , ou sexo sem preservativo, é uma prática comum nestas festas e aumenta significativamente o risco de transmissão de infecções. A utilização de brinquedos sexuais sem higienização adequada constitui outro factor de risco.
O consumo de drogas relaxantes (substâncias sedativas) pode provocar lesões durante o sexo, pois o consumidor não se dá conta dos limites do seu corpo, facilitando a entrada de agentes patogénicos.
Transmissão de VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis
O Reino Unido tem visto mais casos de HIV relacionados ao chemsex. As infecções sexualmente transmissíveis crescem devido às práticas de risco e lesões nas mucosas.
A hepatite C também tem vindo a aumentar. Também as pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) têm dificuldade em escolher parceiros seguros quando sob o efeito de drogas.
Vulnerabilidade a violência sexual
As drogas tornam as pessoas mais vulneráveis à violência sexual. A incapacidade de dar consentimento ou resistir aumenta. Muitas vítimas não se lembram dos eventos, o que dificulta a denúncia e o apoio.
Estratégias de redução de danos

Estratégias de redução de danos são muito importantes para a saúde pública. Elas ajudam a diminuir os riscos do chemsex. Essas estratégias protegem a saúde e a dignidade das pessoas, sem contudo ter de pedir que elas parem completamente.
Informação sobre dosagens e consumo mais seguro
A educação sobre o uso de substâncias é crucial. Os profissionais de saúde devem dar informações claras sobre como usar de forma segura. Isso inclui saber as dosagens certas e os riscos de misturar substâncias.
Essa abordagem ajuda as pessoas que ainda querem fazer chemsex. Elas precisam saber como fazer isso de uma forma menos arriscada.
Distribuição de material de prevenção
Ter acesso a recursos práticos é essencial. Isso inclui:
- Preservativos e lubrificantes adequados
- Seringas estéreis para quem pratica slamming
- Kits de testagem de substâncias
- Folhetos informativos sobre saúde mental e física
Apoio psicológico e grupos de suporte
O apoio psicológico é muito importante. Ele ajuda as pessoas a entenderem melhor as suas motivações e vulnerabilidades. Grupos de apoio também são úteis, pois oferecem um lugar seguro para compartilhar experiências.
Com a ajuda de profissionais e o apoio de outras pessoas, é possível melhorar a saúde pública. Isso também melhora o bem-estar individual de cada uma das pessoas que optam por praticar chemsex.
Desafios no acesso aos cuidados de saúde

Ter acesso a cuidados de saúde adequados é um grande desafio para quem faz chemsex em Portugal. O estigma social que rodeia o consumo de substâncias e a sexualidade cria barreiras invisíveis. Essas barreiras são muito fortes e impedem a busca por ajuda médica.
Muitos profissionais de saúde não sabem como lidar com o chemsex. Eles não têm a formação necessária. Isso afecta a qualidade do atendimento e pode fazer com que as pessoas não busquem ajuda novamente.
O preconceito aparece de várias maneiras nos serviços de saúde. Profissionais de enfermagem e psiquiatria podem não saber como lidar com questões sexuais entre homens. Isso torna difícil fazer um diagnóstico correto e criar planos terapêuticos eficazes.
Os serviços de apoio a dependências, como o alcoolismo ou transtorno mental clássico, não são adequados ao que aqui falamos. Muitas pessoas não se veem a si mesmas como dependentes. Tudo isso cria um desencontro entre as necessidades reais e os serviços disponíveis. Essa falta de serviços adequados deixa uma população vulnerável sem cuidados especializados e culturais.
Iniciativas e projectos em Portugal

As organizações de saúde comunitária têm um papel importante no combate ao chemsex em Portugal. Estas criaram projectos que unem educação, prevenção e redução de riscos. Estes projectos são feitos para o contexto português.
Trabalho do CheckpointLX e outras organizações
O CheckpointLX é um centro de referência para homens que fazem sexo com homens em Portugal. Oferece testes gratuitos de infecções sexualmente transmissíveis e serviços de saúde sexual. Desde 2012, profissionais, como o Miguel Rocha já citado acima, têm ajudado muito nesse trabalho.
Formação de profissionais de saúde
Estudos académicos têm acompanhado o desenvolvimento. Inês Caetano Nunes, da Clínica Universitária de Psiquiatria e Psicologia Médica, através da sua tese de dissertação, fez pesquisas importantes. Ela trabalhou na prevenção e redução de danos relacionados com o comportamento sexual humano no contexto do chemsex.
O seu trabalho deu origem a programas de formação para profissionais de saúde, nos quais estes aprendem a identificar e a abordar estas práticas com sensibilidade e empatia.
Campanhas de sensibilização e literacia
Desenvolver materiais educativos é essencial para promover o prazer seguro e informado. As campanhas incluem apresentações para profissionais de saúde e folhetos para os utentes. Estes materiais são adaptados às diferentes expressões de orientação sexual.
As iniciativas visam reconhecer comportamentos de risco cedo. E também aumentar a eficácia das estratégias de intervenção.
Conclusão
O chemsex é um grande desafio para a saúde pública em Portugal. É crucial que os profissionais de saúde fiquem atentos a esta prática. Eles precisam de saber como identificar o uso de drogas durante o sexo.
Com essa formação, podem criar estratégias para reduzir os riscos. Isso ajuda a proteger a saúde dos homens que fazem sexo com homens.
É urgente criar intervenções para reduzir os riscos do chemsex. Centros de testagem e organizações como o GAT e o CheckpointLX são pontos importantes. Eles ajudam a falar sobre o consumo de drogas de forma segura.
Os efeitos do chemsex vão além dos riscos físicos. Muitos têm dificuldade em ter relações sem drogas. Os profissionais de saúde devem dar conselhos e encaminhar para serviços especializados.
A resposta ao chemsex em Portugal precisa de muitas mãos e de muita atenção. É importante que a saúde, as comunidades e a própria comunidade LGBT trabalhem juntas. Só assim poderemos melhorar o bem-estar de todos.
FAQ
O que é o chemsex e como se define esta prática?
O chemsex envolve o uso de drogas antes ou durante a relação sexual. O objetivo é melhorar e prolongar a experiência. As sessões podem durar horas ou até três dias, envolvendo sexo em grupo.
Quais são as principais drogas recreativas utilizadas no chemsex?
As drogas mais usadas são metanfetamina, mefedrona, GHB e GBL. Elas estimulam e desinibem. Poppers e ketamina também são comuns.
Onde ocorrem normalmente as práticas de chemsex em Portugal?
Em Portugal, o chemsex acontece em residências, clubes e saunas LGBTQ+. As festas são organizadas por aplicações com códigos específicos.
Quais são os principais riscos associados ao uso de substâncias durante o acto sexual?
Os riscos incluem overdose, transmissão de VIH e hepatite C. Também há riscos de traumas rectais e maior vulnerabilidade a violência. O “G-sleep” pode causar depressão respiratória.
Como funciona o slamming e quais são os seus perigos?
O slamming é o uso endovenoso de drogas, como metanfetamina. Isso aumenta o risco de transmissão de VIH e hepatite C. Também intensifica os efeitos das drogas e pode causar lesões.
Que estratégias de redução de danos existem para quem pratica chemsex?
Existem estratégias como informação sobre dosagens seguras e distribuição de preservativos. Também há testagem regular de ISTs e apoio psicológico. O CheckpointLX oferece serviços especializados.
Por que os praticantes de chemsex evitam procurar ajuda nos serviços de saúde?
Muitos acham que os serviços convencionais não entendem suas necessidades. O estigma social e o desconhecimento dificultam a busca por ajuda.
Como identificar comportamentos de risco durante sessões de chemsex?
Os sinais incluem uso inconsistente de preservativo e sexo em grupo. A partilha de brinquedos sexuais e seringas também é um sinal. A desinibição aumenta estes comportamentos.
Qual o impacto do chemsex na saúde mental dos praticantes?
O chemsex pode causar ansiedade, depressão e impactar o funcionamento diário. Muitos desenvolvem dependência psicológica. O isolamento e o estigma agravam os problemas de saúde mental.
Que iniciativas existem em Portugal para apoiar a comunidade HSH no contexto do chemsex?
O CheckpointLX oferece testagem de ISTs e serviços de saúde sexual. Foi criado material educativo para profissionais e folhetos informativos. Miguel Rocha, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, tem estudado o fenómeno em Lisboa desde 2010, promovendo formação nos Centros de Saúde.
Fontes usadas no artigo para consulta dos leitores
Fatores associados ao chemsex em Portugal durante a pandemia de COVID-19 – Este estudo investiga a prevalência e os fatores associados à prática de chemsex entre homens que fazem sexo com homens em Portugal durante a pandemia de COVID-19. – https://www.scielo.br/j/rlae/a/w95MftFCkHfKf56RXVSPJbP/
Chemsex em Lisboa? Autorreflexividade para descobrir a cena e discutir a criação de respostas de redução de danos lideradas pela comunidade – Este ensaio explora a cena do chemsex em Lisboa e as respostas de redução de danos lideradas pela comunidade. – https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00914509221094893
Chemsex e suas repercussões na saúde de homens que fazem sexo com homens (HSH): uma perspectiva de saúde global – Uma revisão sistemática sobre as repercussões do chemsex na saúde de HSH. – https://www.scielo.br/j/reben/a/3pjmsXd7sxJ7pncndR3GqSm
Políticas de drogas em nível municipal em Portugal: a pandemia de COVID-19 como analisador da capacidade de resposta à redução de danos no Porto e em Lisboa – Analisa a resposta das políticas de redução de danos em Portugal durante a pandemia. – https://link.springer.com/article/10.1186/s12954-025-01179-y
Intenção de usar PrEP entre homens que fazem sexo com homens e praticam chemsex: um estudo descritivo internacional – Estudo sobre a intenção de usar PrEP entre HSH que praticam chemsex no Brasil e em Portugal. – https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/20499361231206918



