A primeira vez de um Hetero numa Sauna Gay Liberal

Um anónimo Heterossexual contou-nos a sua experiência quando visitou pela primeira vez uma Sauna Gay Liberal.

Não sabemos se a história que vos disponibilizamos passou-se ou não na SaunApolo 56. Suspeitamos que a nossa fonte não quisesse melindrar a óptima relação que temos com ela, pois ela recusou-se a confirmar-nos onde a história se tinha passado. Contudo nada nos leva a suspeitar que esta história pudesse ter ocorrido numa qualquer festa de temática Gay ou Bisex na Rua Luciano Cordeiro 56 A em Lisboa.

Segue-se o singelo relato na sua primeira pessoa…

Visita à Sauna Gay Liberal – Como começou…

“Antes de mais nada, quero-vos explicar que não sou um veterano experiente nesta coisa das Saunas Gay ou Clubes de sexo Liberais.

O intuito desta visita foi antes de mais nada para explorar um lado da minha sexualidade que, há vários anos, eu estava curioso de descobrir.

Há alguns anos atrás, andava eu ainda em tempos de faculdade, tinha tido o privilégio de assistir na fila da frente e ao vivo a uns laivos de homossexualidade. Uns amigos meus envolveram-se aos beijos e apalpões no final de uma festa privada.

Foi uma cena escandalosa à época, mas para grande surpresa minha senti na altura que uma parte de mim desejava estar entre eles. Foram anos a remexer as ideias, o ocasional flirt insuspeito e após uma normal noite cheia de muita bebida em cima, culminou comigo a visitar uma Sauna Gay em Lisboa.”

O Primeiro Embate

“A minha falta de experiência anterior foi evidente quando na entrada da Sauna Gay eu corei para a recepcionista: “Eu não trouxe nenhuns calções de banho … está tudo bem?

Ela suspirou e respondeu: “Você não precisa de calções, nós damos-lhe chinelos e toalha apenas. Isto é uma Sauna Gay, entende?

Entreguei-lhe os 20 € pedidos e após uma breve explicação de como a casa funciona, lá desci escadas abaixo para os confins do deboche.”

As instalações da Sauna

“Uma vez dentro da área de troca comum onde mais tarde recebi a toalha e um par de chinelos, vejo vários assentos de madeira e vários cacifos pessoais onde somos convidados a deixar os nossos pertences. Cada cacifo está numerado e tem cadeado. Prendo a chave do meu cacifo com a pulseirinha ao meu pulso, dispo-me, coloco a toalha à cintura e lá começo eu a percorrer os corredores.

As instalações da Sauna Gay eram impressionantes. Desde duches em forma de cascata como nos health clubs ou estâncias termais de topo, várias cabines de Sauna e banho turco,  zona de jacuzzi e depois toda uma parnefália de corredores misteriosos que desembocavam em vários quartos  temáticos.

Uns quartos destinados às práticas de BDSM, outros destinados a actividades mais leves, como “Gloryhole” por exemplo, essa parede estranha cheia de buracos onde anónimos praticam o felácio a anónimos.

A espécie de cinema para assistir a filmes pornográficos pareceu ser um sucesso, pois deu-me a ideia que é lá que muitos visitantes do espaço “aquecem”.

Além destas áreas comuns, existem depois, num corredor separado, toda uma imensidão de pequenos quartinhos, alguns equipados com marquesas, outros com pequenos assentos, onde os convivas podem interagir de forma mais privada. No fundo desse corredor estava o grande quarto escuro para sexo em grupo.”

GloryHole na SaunApolo56

Exemplo de GloryHole. Fonte: SaunApolo 56

A análise sociológica do ambiente

“Eu já tinha lido sobre as práticas de “Cruising” (aka Caça) em várias fontes e já tinha ouvido falar sobre alguns bares de “Caça” mas nunca tinha ido a nenhum e muito menos a uma Sauna Gay. Para simplificar, se em algum momento eu atrair o olhar de alguém e o olhar for mantido, então tal significa que vai haver acção. Nenhum ensaio codificado de compra ou oferta de bebidas ou conversa hipócrita com o fim comum de sexo – ali é só pegar e avançar.

O que é realmente interessante do ponto de vista de um homem heterossexual é que nesses ambientes Gay nós somos considerados um objeto de desejo, em vez de um perseguidor. Eu não sou o tipo de homem que recebe olhares de admiração das mulheres em geral, então ser olhado assim foi de facto algo retemperador.

Também foi interessante numa perspectiva de análise sociológica, pois dá-te uma ideia de como as mulheres se sentem quando os homens insistem em olhar para elas. E esse facto torna-te imediatamente exigente. Havia por lá muitos homens considerados atraentes, suponho que do ponto de vista de muitas mulheres, mas o que é facto é que havia também alguns sujeitos bastante mais velhos, pouco atraentes e obesos por lá. Naquele ambiente até eu me achei bastante exigente em alguns momentos, o que foi para mim uma surpresa.”

O código e conduta do meio liberal

“Para os quartos ocupados parece haver um código de conduta. Se houver alguém ali deitado na frente e expondo o traseiro … bem, acho que se pode adivinhar o que esse tipo pretende, não é?

Se eles estão sentados, então eles parecem estar à procura de um pouco mais de mistura. Se a porta está aberta e algo está a acontecer, então é um convite em potencial para assistir ou participar. Se tu tentares entrar num desses quartos privados quando a acção está a decorrer, das duas uma: Ou obténs um sinal de reprovação com a cabeça, como aconteceu comigo, ou então és convidado a permanecer no quarto.

Foi comum ver também homens a apalparem-se e a interagirem sexualmente entre si quando à entrada desses quartos privados, o que é muito parecido com a “caça”, mas com a diferença de que eles já reivindicaram aquele quarto especifico para si mesmos.”

O Quarto Escuro

O quarto escuro foi um pouco demais para mim, mas foi principalmente porque eu ainda hoje não entendi as regras de conduta e etiqueta para o sexo em grupo. Os gemidos penetrantes e as silhuetas sombrias de numerosos corpos deixaram pouco a imaginação, mas naquele espaço eu não me sentia preparado para enfrentar qualquer um.

Deambulei um pouco pelo espaço de Sauna, depois pelo Banho turco e acabei por sentar-me na pequena zona do Bar. As pessoas falavam e viam televisão.
Fiquei com a ideia de que algumas das pessoas seriam regulares do espaço e que frequentemente se deslocavam ali para “caçar” parceiros anónimos quando os impetos sexuais apertavam no decorrer do dia de trabalho.

Algumas pessoas perguntaram o meu nome, outras não. Não parecia importar de nenhuma maneira: a atmosfera era simplesmente relaxada, respeitosa e madura. Quaisquer avanços mal interpretados ou não reciprocos, eram imediatamente recusados de uma forma cortez e educada.”

Quarto escuro em clube Liberal de Swingers ou Sauna Gay. Serve para práticas de sexo em grupo

Quarto escuro para práticas de Sexo em grupo

Reflexões sobre a primeira experiência Gay

“Não vos vou detalhar muito mais da minha experiência pessoal, mas posso-vos dizer que depois de cerca de uma hora e picos a sondar o espaço e ambiente lá acabei por envolver-me com um homem pela primeira vez e logo à grande, numa Sauna Gay. Em cinco minutos fomos para uma das salas privadas. Por razões óbvias irei poupar-vos aos detalhes, mas posso-vos dizer que foi uma primeira experiência homossexual agradável, respeituosa e principalmente segura.

Irei voltar? Não sei, Talvez sim, talvez  não.  Estou dividido.

Fiquei contente de ter ido a uma Sauna Gay? Sem qualquer espécie de dúvida.

Por mais estranho que possa parecer, sinto-me hoje muito mais seguro na minha (hetero) sexualidade do que anteriormente. Isto não me irá impedir de continuar a ler artigos sobre mulheres, masturbar-me com pornografia hetero ou frequentar discotecas e bares na ânsia de encontrar mulheres.

O que fará de certeza é pôr de parte mais uma questão ou dúvida, quando da próxima vez me encontrar numa relação com uma mulher.”

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