Quando os pais não aceitam a homossexualidade dos filhos.

Roberto de 38 anos vive hoje em dia uma vida normal. Vive junto com Ivan, o namorado, e é feliz. Mas nem sempre foi assim. Aos 18, ainda em casa dos pais e sem emprego decidiu contar-lhes que arranjara um namorado. A reação não foi boa.

“Quando contei aos meus pais que era diferente, chamaram-me nomes, principalmente o meu pai. “Maricas” e “larilas” foram os menos graves, fui insultado como nunca fui antes pela minha própria família. A minha mãe não sabia o que dizer. Chorava baixinho claramente perturbada. Mas não percebi na altura se chorava por mim ou pela reacção do meu pai”.

Mas Roberto não desistiu. Tentou explicar-lhes que ele e o namorado se pretendiam juntar, e gostava de ter a aceitação da família. O pai disse-lhe para não regressar a casa, que ali não entrava com nenhum namorado.

“Foi um grande choque. Achamos que de todas as pessoas, os pais nunca deixam de gostar de nós. Não foi o caso”.

A mãe de Roberto ajudou-o a arranjar um lugar pudesse viver com o namorado. Visitava-o, às escondidas do marido, uma situação que deixava Roberto triste e desapontado.

“Há tantas famílias com problemas, dificuldades, a nossa estava desfeita por algo que eu não tinha culpa. Nasci a gostar de homens e não conseguia mudar isso. Queria poder levar o Ivan a jantar lá a casa, mostrar-lhe onde cresci e onde durante muitos anos até se pode dizer que fui feliz.”

Roberto ainda pensou desistir de mostrar ao mundo que era. “Pensei que para o bem da minha família, mais valia nunca ter um parceiro, viveria sozinho, amaria às escondidas. Mas foi o Carlos que me fez ver que eu ia ser infeliz, que poderia acabar à beira de uma depressão.”
Esta é a luta de muitos homens e mulheres, cujas famílias não aceitam as suas escolhas sexuais.

Escolhas essas que não dependem deles, apenas nasceram assim. Mas ainda há que os veja como problemáticos, e tentam cura-los com medicação. “ A minha mãe tentou convencer-me a visitar um psicólogo para saber se não havia nada a fazer por mim. Como se eu tivesse com um problema mental. Atribuo o sentimento à ignorância. Ela é minha mãe mas sei que cresceu num meio pobre, sem acesso à educação e à informação. Mas assusta-me mais ainda haver muitos jovens a pensar da mesma forma.”

Embora a história de Roberto não seja a mais feliz, hoje pode dizer que vive com alguma normalidade. “Uns anos depois de me juntar com o Roberto o meu pai ficou doente. Faleceu três anos depois. Fui-me muito abaixo com a sua morte. Ficou muito por dizer. Durante mais de 5 anos não falámos. É muito triste que um pai deixe de gostar do filho apenas porque ele decidiu amar alguém. Mas após algum tempo comecei a dar-me com a minha família outra vez. Hoje em dia juntamo-nos no Natal que é tão importante para mim. Quem passa por isto pode ter a sorte de ter um grande companheiro que lhe dá força ao seu lado, mas as cosias seriam bem diferentes se estivesse sozinho.”

About the author

Related

JOIN THE DISCUSSION